Praia Grande: Câmara barra pedido do Cremesp que poderia cassar mandato de Eduarda Campopiano

Autarquia federal acusava parlamentar do PL de causar tumulto durante fiscalização na UPA Quietude; vereadores defenderam prerrogativa de fiscalização do Legislativo

Praia Grande: Câmara barra pedido do Cremesp que poderia cassar mandato de Eduarda Campopiano

Sandro Thadeu

27.05.2026

Fotos: Reprodução/Câmara de Praia Grande

A Câmara de Praia Grande rejeitou, na sessão desta terça-feira (27), o pedido apresentado pelo presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Angelo Vattimo, para abertura de uma investigação que poderia resultar na cassação do mandato da vereadora Eduarda Campopiano (PL).

A solicitação foi encaminhada após a parlamentar e três assessores ingressarem, no mês passado, em áreas restritas da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Quietude durante uma fiscalização. Segundo a autarquia federal, a ação provocou “grave tumulto”, comprometendo o atendimento médico e a rotina da equipe da unidade.

O episódio provocou forte reação no plenário. Vereadores de diferentes partidos saíram em defesa da prerrogativa de fiscalização do Legislativo e criticaram o pedido formulado pelo Cremesp.

Reação dos vereadores

Presidente da União dos Vereadores da Baixada Santista (Uvebs), Cadu Barbosa (PRD) afirmou que a instituição não se manifestou em outras ocasiões envolvendo problemas na saúde pública do Município.

“Em nenhum momento eu vi o Cremesp quando essa Casa de Leis cobrou da empresa terceirizada pelo atraso no pagamento dos médicos. Também não vi manifestação quando vereadores denunciaram problemas envolvendo atendimento médico. Agora, quando um vereador vai fiscalizar, aparece pedido de cassação. Isso é vergonhoso”, frisou.

O parlamentar também ressaltou que não identificou exposição de profissionais de saúde nas imagens divulgadas pela colega. “Ela foi eleita pelo povo para fiscalizar. O médico recebe dinheiro público e tem que ser fiscalizado também”, completou.

Cadu Barbosa (PRD), presidente da União dos Vereadores da Baixada Santista (Uvebs)

Ação legítima

A vereadora Janaina Ballaris (União) ponderou que há entendimento consolidado no Judiciário no sentido de que parlamentares não podem acessar áreas restritas de unidades de saúde sem autorização prévia, embora considere que isso limite a atuação fiscalizatória dos vereadores.

Ela relembrou episódios anteriores envolvendo problemas na rede municipal de saúde e defendeu que eventuais excessos sejam discutidos na Justiça, e não no âmbito político.

“Se algum profissional se sentiu ofendido ou exposto indevidamente, o caminho correto é buscar reparação judicial, não pedir a cassação de um mandato legitimamente concedido pela população”, afirmou.

Janaina também recordou um episódio ocorrido em 2016, quando foi alvo de investigação após entrar no Hospital Irmã Dulce para cobrar atendimento a gestantes que estavam sem atendimento médico. “A gente tem que garantir que o vereador exerça o papel para o qual foi eleito pelo voto popular”, disse.

Janaina Ballaris (União)

Em defesa do povo

Alvo do pedido do Cremesp, Eduarda Campopiano rebateu as críticas e afirmou que continuará realizando fiscalizações nas unidades de saúde do Município.

“Como você fiscaliza um hospital sem entrar nele?”, questionou. A parlamentar afirmou que todos os vídeos publicados nas redes sociais tiveram rostos e crachás borrados para preservar os profissionais e garantiu que recebeu autorização da administração das unidades para acessar os setores restritos.

“É um ultraje que o Cremesp venha pedir cassação de vereador por querer fiscalizar a saúde. O Cremesp não vai impedir que o bom trabalho continue sendo realizado”, declarou.

Durante a sessão, Eduarda também criticou a ausência de posicionamentos da entidade médica diante de outros problemas enfrentados pela rede pública, como falta de leitos, demora no atendimento e denúncias de irregularidades médicas.

Eduarda Campopiano (PL)

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